Conhecendo a Europa Central

Por Messina Palmeira

Visitei, no mês de maio de 2016, parte da Europa Central: as cidades de Frankfurt, Berlim e Dresden, na Alemanha; Praga, na República Tcheca; Viena, na Áustria; Budapeste, na Hungria; e Bratislava, na Eslováquia. Durante 14 dias, minha amiga Rosa Aguiar e eu viajamos a esses lugares distantes.

Começamos o roteiro em Frankfurt, local do nosso desembarque num voo direto que durou cerca de 10 horas, saindo da capital pernambucana. Um fato bacana aconteceu na hora do check-in: a classe executiva não tinha sido preenchida e nos foram oferecidos dois lugares nessa parte confortável do avião, com desconto de 50%. Claro que aceitamos e a viagem de 10 horas ficou muito melhor.

Chegamos a Frankfurt no dia 19 de maio, uma quinta-feira. Logo nos deparamos com um aeroporto gigantesco e uma língua completamente diferente da nossa. Apesar de ser uma cidade cosmopolita, Frankfurt ainda guarda parte de uma arquitetura que lembra muito as casas das cidades do sul do Brasil. Na cidade, visitamos um pequeno e acolhedor mercado local e tomamos a nossa primeira cerveja alemã. Alugamos um pequeno e interessante veículo, ao custo de 18 euros por cada meia hora, e fizemos um city tour. Visitamos também Romerberg, que é o maravilhoso centro histórico de Frankfurt (foto 1). Um escândalo.

De Frankfurt, partimos de ônibus para Berlim. Chegamos no dia 21 de maio e desembarcamos numa moderna estação de ônibus e trens, a Hauptbahnhof. Na estação da capital alemã, nos esperava Giovanni Péricles Barbosa Palitot, amigo e antigo morador do bairro do Miramar, em João Pessoa. Seguimos de metrô para o hotel (nossa bagagem era pequena e Giovanni conhecia bem todas as linhas de metrô), que fica bem pertinho do Checkpoint Charlie (foto2), um dos pontos turísticos mais visitados e fotografados de Berlim. Esse emblemático local, durante a Guerra Fria, funcionou como posto militar entre as Alemanhas Ocidental e Oriental, tornando-se palco de filmes que se reportam a fatos que aconteceram durante aquela época.

No dia seguinte, seguimos num roteiro a pé (50 euros) pelos principais pontos de Berlim. Giovanni, que já teve agência de turismo e conhece bem a cidade, a cada parada nos contava um pouco da história alemã. Visitamos o Portão de Brandenburgo, o cartão-postal mais famoso de Berlim (foto 3). Esse belo e imponente portão dava acesso a Berlim quando a cidade ainda era muito pequena e circundada por um muro. O memorial do holocausto, que também visitamos, apresenta uma arquitetura muito limpa que remete a tempos cruéis. Vale a pena a visita. Nesse dia, pudemos ver também os restos do Muro de Berlim e a Ilha dos Museus.

No dia 23, seguimos para o Campo de Concentração de Sachsenhausen, que esteve ativo de 1936 a 1945 (foto 4). Nesse campo, entre o que mais me impressionou, estão as salas de experimentos médicos, onde se encontram documentos, roupas, fotos e outros objetos das pessoas que pereceram no local. Saímos do campo com o peso da barbárie injustamente infligida a milhares de pessoas. Nesse dia, fizemos ainda um passeio de barco pelo rio Spree.

O dia seguinte nos reservava Dresden, cidade localizada às margens do rio Elba que teve o seu centro histórico arruinado pelas Forças Aliadas durante a Segunda Guerra Mundial (foto 5). A cidade, que está a cerca de 2 horas de Berlim, foi restaurada e é uma das principais atrações turísticas da Alemanha. Na estação de Dresden, pudemos experimentar um delicioso Kartoffelsalat, prato da cozinha regional à base de batatas, vinagre branco e pepino em conserva.

No dia 25, Praga, capital da República Tcheca, nos esperava com todo o seu charme e sua arquitetura indescritível. Contratamos um city tour com uma guia mexicana e fizemos um recorrido que valeu a pena. Nesse passeio, conhecemos o famoso Castelo de Praga, que é um grande complexo de palácios, igrejas e museus (fotos 6 e 7). É considerado o maior castelo do mundo e tem mil anos de história. Em seguida, saímos num passeio a pé, durante o qual conhecemos a Catedral de São Vito, a Basílica de São Jorge e o já famoso Muro de John Lennon, homenagem ao ex-Beatle construída em 1980, logo após o assassinato do cantor (foto 8). O muro é extremamente original e tornou-se alvo de artistas e grafiteiros, mesmo durante o período comunista. Seguimos para o centro histórico de Praga – se é que se pode dizer isso de uma cidade com tantos sítios históricos preservados –, que é realmente encantador. Milhares de pessoas visitam diariamente esses locais, o que faz com que Praga seja uma festa.

Na Praça da Cidade Velha, conhecemos o Orloj, relógio astronômico construído no ano de 1.410 pelo relojoeiro Mikuláš de Kadaň (foto 9).  O relógio é formado por três componentes principais: uma esfera astronômica que indica a hora e a posição do sol e da lua, uma esfera com medalhões que representam os meses e um mecanismo que mostra, de hora em hora, a procissão dos Doze Apóstolos. Diariamente, das 8h às 20h, a cada hora o mecanismo ganha vida e é uma festa para as centenas de pessoas que se postam à sua frente.

Praga, que tem como filho o célebre escritor Franz Kafka, conta com uma estátua feita em sua homenagem pelo escultor Jaroslav Róna (foto 10). A estátua, localizada em frente à Sinagoga Espanhola, no quarteirão judaico, teve como inspiração o conto kafkiano “Descrição de uma luta” e mostra um homem sem cabeça carregando outro homem em seus ombros. Perder-se nas ruas estreitas da cidade, saborear a gastronomia local e comprar miniaturas do famoso Menino Jesus de Praga fazem parte dessa cidade mágica e aconchegante.

Continuando o nosso roteiro turístico, seguimos de Praga para Viena, capital da Áustria, onde chegamos no dia 27 a bordo de um excelente trem. A paisagem é muito bonita e, embora saia mais caro viajar de trem que de avião, vale a pena pagar um pouco mais para ter esse privilégio. Os campos estavam cobertos de flores amarelas das plantações de colza.

Viena, com sua tradição em concertos, valsas e música erudita, é uma das cidades mais bonitas da Europa (foto 11). Tivemos a sorte de ficar num hotel muito bom, com excelente localização. Como se trata de uma cidade de grande extensão, resolvemos fazer um city tour nos tradicionais ônibus de turismo. Numa das paradas do ônibus, descemos no Palácio de Schönbrunn, que é de uma grandiosidade e beleza impressionantes (foto 12). Os jardins do palácio, com rosas de cores diversas, atrai pela beleza e pelo perfume. Num dos percursos percorridos pelo ônibus, observei, ao longo de uma avenida, um terreno cercado onde se vislumbravam canteiros e hortaliças. Algumas pessoas, talvez moradores da vizinhança, cuidavam dos vegetais. Eu, que sou fã da agricultura orgânica, achei a ideia genial.

De Viena, seguimos para Budapeste, capital da Hungria, onde chegamos no dia 29 e passamos dois dias (foto 13). O local, rico em monumentos e cultura milenar, é cortado pelo rio Danúbio, que separa Buda de Peste. Ficamos em Peste, na avenida Astória, via muito larga e com trânsito pesado. Fizemos, mais uma vez, o passeio num ônibus de turismo, em um pacote que incluía um passeio de barco. Descemos nas famosas termas de Peste, visitamos Buda e, no passeio de barco pelo rio Danúbio, nos deslumbramos com pontes e edifícios históricos, como o Parlamento de Budapeste – um dos edifícios legislativos mais antigos da Europa (foto 14). Nesse dia, degustamos o Tokaji, vinho de sobremesa emblemático da Hungria que surpreende pela leveza e pelo sabor. Por fim, ficou a má impressão de que Budapeste é uma cidade com potencial enorme, mas que não prima muito pela limpeza.

Finalmente, chegamos ao nosso último destino: a bela Bratislava, capital e principal cidade da Eslováquia, onde passamos nossos últimos dois dias de viagem (fotos 15 e 16). Ficamos num hotel decorado com temas de filmes famosos, cujos apartamentos recebem nomes de artistas. Nosso quarto chamava-se Marilyn Monroe. A cidade é relativamente pequena e cheia de locais pitorescos, com um centro histórico repleto de ruas encantadoras e restaurantes típicos. Fizemos o city tour a bordo de um trem simpático que custou 20 euros.

Depois de um período comunista e com a dissolução da Tchecoslováquia, que deu origem à República Tcheca e à Eslováquia, no ano de 1993, Bratislava precisava integrar-se à nova realidade e preparar-se adequadamente para receber turistas. O governo decidiu, então, dar uma nova roupagem à cidade, pintando alguns de seus prédios para amenizar o tom cinzento que predominava no lugar. Além dessa ação, o governo encomendou esculturas com o objetivo de dar vida à cidade. Uma das esculturas mais badaladas é a do Čumil, um operário saindo de um buraco de esgoto e olhando para frente (foto 17). Um alerta: nessa pacata cidade fomos lesadas por um motorista de táxi, que fez um trajeto muito mais longo que o necessário fazendo-nos pagar, da rodoviária para o hotel, 20 euros. Na volta constatamos o roubo, pois pagamos apenas 5 euros.

Bom, esse foi o nosso roteiro, que coincide com o de grande parte dos turistas que visitam essa região. Foram 14 dias de muito aprendizado e muita superação, principalmente com relação à língua. Afinal, viajar é isto: expectativas, sonhos e, no fim da viagem, uma saudade muito grande de casa. A próxima viagem? Estou pensando em Cuba, República Dominicana e Panamá.

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