Casa da Pólvora – símbolo do colonizador português na Paraíba

Casa da Pólvora 2

Por Messina Palmeira

A Casa da Pólvora, obra arquitetônica remanescente da época colonial localizada na capital paraibana, teve sua construção ordenada por meio de uma Carta Régia assinada em 18 de agosto de 1704. Apesar de não se ter um documento atestando o começo da obra, a entrega da Casa da Pólvora se deu no ano de 1710. Essa foi a terceira edificação no gênero construída na Paraíba. As outras duas, também destinadas a armazenar armas e munições, possuíam estruturas bastante precárias. Uma delas ficava instalada na atual Rua General Osório (antiga Rua Nova) e a outra na Rua Rodrigues Chaves, antiga Rua Passeio Geral. Como essas pequenas e perigosas edificações ficavam localizadas no Centro da cidade, elas foram desativadas e foi construída na Ladeira de São Francisco a atual Casa da Pólvora. O prédio, um pouco longe da povoação, serviria, também, para se observar toda a área do Porto do Varadouro.

E qual a razão principal para a construção deste espaço, que é um dos símbolos do colonizador português, em nossa terra¿ Ora, no início do século XVIII o Brasil e a Paraíba, por conta das guerras entre Portugal, França e Espanha, temiam os ataques de outros europeus em nossas costas. Além destes ataques, a Paraíba, sob a liderança do capitão-morde João da Maia de Gama, ainda temia que a Guerra dos Mascates, em Pernambuco, refletisse em nossa pequena província. Na cidade, que praticamente se acabava ao Palácio da Redenção, foram erguidas, logo após esse prédio, trincheiras na tentativa de barrar ataques vindos de Pernambuco.  Por causa dessas barreiras o local recebeu o nome de Rua das Trincheiras.

Especificações da construção

O arquitetura tipicamente militar de um único cômodo,tem características simples e foi construído em alvenaria de pedra calcária de formatos irregulares. O teto, em formato abobadado, é feito com tijolos de alvenaria. Em seu frontispício, acima da única porta que existe na frente da casa, um brasão do reino de Portugal, confere importância à construção.  Abaixo dessa coroa, uma lápide com as inscrições: “Reinando em Portugal o muito alto e poderoso Senhor Nosso D. João V governando esta Capitania João da Maia da Gama se fez este armazém. Ano de 1710”, a referenda como um símbolo da colonização portuguesa na então Capitania de Itamaracá.

Depois de ter passado pelas mãos de um particular, que a adquiriu em leilão no ano 1902 e que demoliu parte da construção, o prédio foi reconstruído e tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 24 de maio de 1938.

Atualmente a Casa da Pólvora funciona como um espaço cultural que abriga e é administrado pela Prefeitura Municipal de João Pessoa por meio da Fundação Cultural (Funjope).
Recentemente, um fato curioso despertou a atenção para essa construção, uma das mais importantes do estado. O jornalista abrajeteano Thomas Bruno, que mora em Campina Grande, visitou o local e constatou que “passei cerca de meia hora no local e, encontrando as portas abertas, visitei todo o local, fiz fotos e não apareceu ninguém”. Como presidente da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo da Paraíba (Abrajet-PB), fiquei preocupada e resolvi pedir informações ao gestor da Funjope, Maurício Burity. Ele me informou que o local foi alvo de vândalos e que as devidas providências já estão sendo tomadas

Foto: Thomás Bruno

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