Revolução de 1817 e a tela ‘José Peregrino, Revolução Pernambucana – 1817’

Revolução de 1817 e a tela ‘José Peregrino, Revolução Pernambucana – 1817’

Por Messina Palmeira

A Revolução de 1817, movimento também conhecido como a Revolta dos Padres, foi uma iniciativa revolucionária e social ocorrida no período colonial que tinha como objetivo maior instalar o regime republicano no Brasil. O início da insatisfação dos brasileiros, especialmente dos nordestinos, se deu com a chegada da corte portuguesa em nossas terras, no ano de 1808.

Altos impostos cobrados pelo imperialismo de Dom João VI, cargos importantes ocupados por portugueses e pagos com o dinheiro brasileiro, as ideias iluministas da Revolução Francesa, a queda na importação do açúcar, a fome que imperava entre os mais pobres, o envio de dinheiro dos governos nordestinos para a sede do império no Rio de Janeiro, a independência de algumas colônias espanholas e dos Estados Unidos e a falta de liberdade de imprensa são fatores que contribuíram para a deflagração deste importante movimento separatista que efetivou a tomada do poder com instauração da República por 75 dias.

Essa revolução, que teve ampla divulgação no jornal americano Times, estava programada para ser deflagrada no mês de abril e foi antecipada para o dia 06 de março. A antecipação se deu por causa do assassinato do brigadeiro português Manoel Joaquim Barbosa de Castro pelo brasileiro revolucionário José de Barros Lima, apelidado de Leão Coroado. Esse assassinato aconteceu porque Leão Coroado revoltou-se com a prisão decretada pelo brigadeiro de um soldado do regimento militar da província pernambucana. O evento teve apoio da Maçonaria, dos senhores de engenho, do exército, de muitos padres e de grande parte da população daquele local.

Os principais líderes da Revolução de 1817, foram Domingos José Martins, José de Barros Martins, João Ribeiro e Miguelinho (esses dois últimos eram padres).

Preocupado com o avanço das ações pelo fim da monarquia e com medo que a revolta alcançasse outras províncias, Dom João VI tratou de enviar tropas para debelar o movimento. Os embates duraram 75 dias e, depois de derrotados, muitos revoltosos foram capturados, mortos e esquartejados.

A Paraíba na revolução de 1817

Na Paraíba, o paraibano Arruda Câmara já, no ano de 1797, demostrou simpatia com a instalação da república quando fundou o Areópago de Itambé, que, segundo alguns estudiosos, foi a primeira loja maçônica do Brasil.

Naquele local, situado entre Pernambuco e Paraíba, aconteciam encontros de partidários dos ideais republicanos.
No movimento de 1817, as cidades paraibanas de Pilar e Itabaiana foram as primeiras a aderir à revolta e, com seus revoltosos, seguiram em marcha para a sede da província.

A Paraíba, que também tinha adquirido o status de província, foi a segunda e única, além de Pernambuco, a declarar a proclamar a república e instituir um governo provisório. Esse fato aconteceu no dia 16 de março.

Nosso Estado teve mais de cem pessoas envolvidas na revolução e destas, cinco foram mortas e esquartejadas. Os cinco líderes da revolta na Paraíba foram José Peregrino de Carvalho, Amaro Gomes Coutinho, Francisco José da Silveira, padre Antônio Pereira de Albuquerque e Inácio Leopoldo de Albuquerque Maranhão.

A tela ‘José Peregrino, Revolução Pernambucana – 1817’

No Salão Nobre do Palácio da Redenção, prédio que abriga o poder executivo do Estado da Paraíba, está afixada na parede principal a tela do artista plástico carioca Antônio Parreiras.

Esta obra de arte, intitulada ‘José Peregrino, Revolução Pernambucana – 1817’, foi adquirida no governo de Camilo de Holanda. É um óleo sobre tela, pintada em Paris, no ano de 1818, e mede 4×2,09m, com moldura.

A cena retrata o momento em que o pai de José Peregrino, Augusto Xavier de Carvalho, com um crucifixo na mão, pede ao filho que ele se entregue aos militares do governo imperial. O quadro é baseado na história real.

Quando detido na Paraíba pelas tropas de Dom João VI, José Peregrino, a pedido de seu pai, se entrega. No ato da prisão, era prometido aos envolvidos que eles não seriam julgados por crime de lesa-majestade. Entretanto, e diferente do que foi dito aos revoltosos, ele foi jugado, condenado à morte e esquartejado na cidade de Recife. Em seguida, sua cabeça e suas mãos foram enviadas à Paraíba e expostas em frente à Igreja de Nossa Senhora de Lourdes.

Homenagens na Paraíba com a Revolução de 1817

1. Praça 1817, localizada ao meio da rua Visconde de Pelotas
2. Rua Peregrino de Carvalho (em JP e Campina Grande)
3. Rua Almeida Barreto (em JP e Campina Grande)
4. Colocação de 4 placas alusivas à revolução. Essas placas foram colocadas nos locais onde foram expostas as cabeças e mãos dos 3 líderes da revolução, quando do centenário de Revolução e restauradas por meio do projeto “Antes que se apague completamente: memória e patrimônio da Revolução de 1817 na Paraíba”. O projeto foi realizado pela UEPB em parceria com o IPHAN no ano de 2012.

Origem da atual Bandeira pernambucana
A bandeira de Pernambuco foi confeccionada pelo padre João Ribeiro de Melo Montenegro durante a Revolução de 1817. Após a revolução, a bandeira foi esquecida e, somente em 1917, cem anos após os embates, foi resgatada. Bastante semelhante a original, a bandeira de Pernambuco só difere da revolucionária por causa da retirada de duas das três estrelas que representavam os Estados de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *