Praça Vidal de Negreiros – uma das praças mais significativas da capital paraibana

Por Messina Palmeira

 

A Praça Vidal de Negreiros, que desde sua origem até o ano de 1923 era conhecida como Rua da Baixa, abrigava, antes de sua primeira grande reforma, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, o Palácio do Barão de Maraú e umas poucas taperas. Já a finais do século XIX, era a parada final de bondes de tração animal, implantados em 1896 pela Ferro Carril Parahyba.

Em 1924, quando a cidade tinha como prefeito o médico Walfredo Guedes Pereira, a Rua da Baixa recebeu sua primeira intervenção urbanística e passou a chamar-se Praça Vidal de Negreiros, em homenagem ao paraibano André Vidal de Negreiros, um dos revolucionários da Insurreição Pernambucana. A reforma incluiu a construção de uma coluna para abrigar um belo relógio em seu canteiro central. Por causa dessa referência, os moradores começaram a chamá-la de Praça do Relógio.

Com a substituição dos bondes movidos a tração animal pelos bondes elétricos, a praça passou a ser o ponto final das linhas Varadouro, Trincheiras e Tambiá. Quando os bondes chegavam ao local, os cobradores anunciavam: “Olha o ponto de cem réis!”. A chamada devia-se ao preço da passagem, que custava cem réis. E, por causa desse anúncio, o local ficou conhecido como Ponto de Cem Réis. Entretanto, alguns historiadores acreditam que o nome Ponto de Cem Réis é anterior à primeira reforma da praça.

Uma outra intervenção urbanística aconteceu no ano de 1951, quando Luiz de Oliveira Lima era prefeito do município. Nessa intervenção, um antigo pavilhão foi demolido, outros dois foram construídos e retiraram-se os bondes, os pontos de táxi e o relógio (alguns historiadores afirmam que este é o mesmo relógio que está no alto do antigo Parahyba Palace Hotel, enquanto outros acreditam que seu destino é desconhecido). No novo projeto, priorizou-se a criação de um ambiente para o convívio social. O local começou a receber desfiles militares e festas carnavalescas, e em seu entorno surgiram cafeterias, farmácias e consultórios. O Ponto de Cem Réis tornou-se parada obrigatória para quem ia ao centro da cidade.Com o desaparecimento do bonde e a chegada da Era do Automóvel, no ano de 1970 – durante as gestões do governador João Agripino e do prefeito Damásio Franca – a praça sofreu nova intervenção, na qual se inaugurou o Viaduto Damásio Franca. Apesar da aprovação da população, todo o ambiente sofreu com a eliminação de um ambiente que agregava pessoas e eventos, já que se inviabilizou o convívio social em seu entorno. Aos poucos o comércio local, antes procurado pela classe mais abastada da população, foi saindo da Praça Vidal de Negreiros e migrando para os bairros do litoral pessoense.

No ano de 2009, quando já integrava o Programa de Revitalização de Sítios Históricos (PRSH) – que tem por objetivo recuperar espaços públicos de grande circulação –, a praça sofreu nova reforma durante a gestão do então prefeito Ricardo Coutinho. O projeto modificou completamente a praça, transformando-a em local de passagem, no dia a dia, e em palco para shows durante eventos. Em contrapartida, foi feliz o projeto, também aprovado pelo então prefeito, que homenageia o compositor Livardo Alves (com uma escultura) e o ex-prefeito Damásio Franca (com uma placa).

No local, permanece o prédio que abrigou o antigo Parahyba Palace Hotel e que, em breve, vai abrigar a Assembleia Legislativa do Estado da Paraíba. Esperamos e desejamos que novos ventos tragam mais dinamismo para a área que o paraibano tradicionalmente e carinhosamente chama de Ponto de Cem Réis.

 

Foto 1: Praça Vidal de Negreiros (Ponto de Cem Reis)  em 1923

Foto 2: Praça Vidal de Negreiros (Ponto de Cem Reis) em 1942

Foto 3: Praça Vidal de Negreiros (Ponto de Cem Reis) em 1972

Foto 4: Praça Vidal de Negreiros (Ponto de Cem Reis) em 2016

 

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