Atalaia: só a Paraíba tem

A Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo da Paraíba (Abrajet-PB), representada pela presidente Messina Palmeira e por seus associados, em parceria com o arqueólogo e professor da UEPB Juvandi de Souza Santos e com a prefeitura de Santa Rita, representada pelo prefeito Emerson Panta, deu início a um projeto inédito que vai promover uma série de escavações no Mirante do Atalaia, a construção militar mais antiga da Paraíba, que se encontra em relativo mau estado de conservação.

 

O mirante está localizado na zona estuarina do rio Paraíba, em Forte Velho, primeira sede da Capitania Real do Rio Paraíba e atual distrito de Santa Rita, município que faz parte da Grande João Pessoa. A edificação foi erguida durante a Dinastia Filipina, no início do século XVII, em razão da ameaça de ocupação do Nordeste brasileiro por parte dos holandeses.

 

Segundo o professor Juvandi, um mirante desse porte, que servia como ponto de observação dos navios que chegavam ao nosso litoral, nunca seria construído sem uma cortina, que é uma barreira de proteção para que os inimigos não conseguissem ter acesso à construção. As escavações têm como propósito encontrar registros arqueológicos que confirmem a existência dessa cortina, resgatando parte de nossa história e revelando ao mundo um importante ponto de interesse arqueológico, histórico e turístico que só a Paraíba tem.

 

Alguns pesquisadores afirmam que os alicerces da construção desse mirante remontam aos primórdios do descobrimento do Brasil, no início do século XVI; entretanto, a maioria dos pesquisadores defende que sua construção se deu no ano de 1584, mesma época da construção do Forte de São Filipe e São Tiago, em Forte Velho. Na contramão do que acredita a maioria dos pesquisadores, o historiador Guilherme D’Ávila Lins, presidente do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, relata ter descoberto, como resultado de um grande esforço de pesquisa, registros autênticos que comprovam a construção do Mirante do Atalaia apenas no início do século XVII, quando na Europa já se previa o ataque dos holandeses no Nordeste do Brasil.

 

Construído sobre um planalto, o Mirante do Atalaia dava uma visão estratégica da Ponta do Cabo Branco até a Baia da Traição e funcionava como um posto de observação que complementava o sistema de defesa do Forte de São Filipe e São Tiago. Verifica-se que esse importante equipamento militar está se deteriorando, e uma ação da magnitude dessas escavações visa a chamar a atenção da sociedade brasileira para sua relevância – alcançando, consequentemente, a atenção dos poderes públicos.

 

No dia 06 de novembro, estive em Forte Velho e vi que a construção continua da mesma maneira: praticamente abandonada e seriamente comprometida em toda a sua estrutura. Na ocasião, tive a oportunidade de conhecer o empresário Paulo Coutinho, proprietário da terra onde está localizado o Mirante do Atalaia, o qual se mostrou muito interessado na proteção do equipamento.

 

Já no dia 08 de novembro, participei de reunião na sede da Câmara Municipal de Santa Rita, a convite do vereador Bastinho, e pude perceber que os vereadores do município estão preocupados com Atalaia e desejam que a construção seja protegida e restaurada e tenha acesso facilitado, por meio da implantação de um caminho mais curto.

 

Estamos nos organizando para a realização de um Fampress a Atalaia com o objetivo de dar mais visibilidade ao local e, consequentemente, chamar a atenção dos órgãos municipais, estaduais e federais para essa emblemática construção. Parceiros como o Iphaep, representado pela diretora executiva Cassandra Dias, e Sebrae-PB, representado pela gestora de turismo Regina Medeiros, vão estar ao lado da Abrajet-PB nessa empreitada, que é parte de um projeto maior de valorização dos monumentos históricos do nosso estado.

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